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Certa vez em uma atividade acadêmica entrevistei o Professor Doutor Oswaldo Bueno Amorim Filho, uma autoridade em geografia e ele me disse que “A percepção é a última fronteira da geografia… viram que a geografia já tinha sido explorada ao máximo, o que não significa que não possam explorar mais a geografia física. Isto é o mais importante porque nós, no contato com a realidade, não temos como objetivá-la, isto é feito através da percepção que é o primeiro passo e o da imaginação que é o segundo, ou a cognição que alguns colocam como terceiro fato”.

Refletindo muito conclui então que, geografia da percepção depende muito mais da vivência do espaço do que de conhecimentos científicos ou acadêmicos, tanto que nessa percepção da paisagem ou a vivência do espaço vivido, você tem experiências, que são muito mais importantes que as do meio acadêmico.

Por exemplo, o Professor Doutor Oswaldo ainda disse o seguinte: “o espaço vivido e a percepção ambiental do Guimarães Rosa têm muito mais importância que do Professor Dr. Oswaldo”, que é uma autoridade acadêmica, ele mesmo ressalta que não tem como comparar.

Isto é ligado ao espaço imaginário, ao espaço sentido, ao espaço vivido, espaço amado ou temido como vivenciamos nas experiências do turismo, por exemplo.  

Tal como o sentimento da topofilia, que pode ser compreendido como o elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico, ou eventualmente, a topofobia, que é lido como uma espécie de aversão a ambientes naturais, como não ser muito adepto a atividades do tipo, acampamento em áreas naturais.

Percebemos que essa é a geografia que está dentro da cabeça das pessoas em geral e é ela que leva a tomada de decisões, para o uso numa escolha de um passeio turístico, não é aquela geografia, que está feita com base em imagens de satélites, em computadores de última geração, numa abordagem quantitativa, mas feita em motivações.

Motivações, comportamento, percepção, cognição, estes são os termos desta outra geografia, que está dentro da nossa cabeça. Não é uma geografia que você pode perceber lá fora, de maneira absoluta e apenas registrá-la em uma máquina fotográfica.

É uma geografia imaginada, em que o espaço a paisagem e o território têm dimensões que são dadas pelo sentimento e não só pela experiência e pelos valores que atribuímos.

Por isso é que acreditamos, que a ciência não deve ser abstrata, ela é construída pelos homens e que, por tendência natural da própria evolução do pensamento geográfico, a proximidade com a natureza se faz cada vez mais necessária. A percepção e a “alfabetização literal” de nossos sentidos está intrinsicamente ligada à continuidade desta construção.

As contribuições à ciência da geografia, se atrelam à normalidade do sentimento e da emoção, o que a aproxima cada vez mais de uma relação concreta do homem com o seu entorno, refletindo sobre o seu comportamento, sua ação e sobre as reais necessidades de intervenções no meio em que ela vive.

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