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2021, Século XXI, Caminhamos a passos largos com o desenvolvimento tecnológico, vasculhamos e buscamos cada vez mais os ambientes da inovação e dos territórios criativos, mas precisamos refletir e pensarmos sobre memória cultural, preservação patrimonial e conservação de nossas referências religiosas, arquitetônicas, gastronômicas, naturais e muito mais.

É importante clarearmos o significado de “preservação” e o contraponto com o termo “Conservação”, claro que, quando falamos de preservar e conservar o nosso Patrimônio Histórico e os elementos aos quais entendemos que compõem este arcabouço cultural normalmente presente nas cidades.

Poderia buscar na rede os conceitos principais para estes dois termos, mas meus amigos, estamos falando de patrimônio histórico e as cabeças que lidam com esta temática são muito especiais, tecnicamente especializadas e emocionalmente muito teimosas, por isso preferi recorrer a uma jovem arquiteta e urbanista que se dedica às políticas públicas de preservação e conservação do patrimônio cultural em um município mineiro para me ajudar a elucidar esta questão. Vejam abaixo a opinião de Joice Santos, que sem dúvidas é mais gabaritada que eu para opinar.

Joice Santos – Arquiteta e Gestora da Divisão de Memória e Patrimônio da Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural e Turismo – Prefeitura Municipal de Itabirito

“Quando observamos o enredo deste texto nos deparamos com o desfecho da significância prática destas duas palavras, e neste exato momento, ao organizar os pensamentos reforçamos a complexidade que ali habitam.

O patrimônio por mais que aos olhos de alguns pareça estático, possui na verdade uma diversidade infinita de entendimentos, de vertentes e que, muitas das vezes, só são proporcionados pelos desafios diários e que nos levam a significar, aplicar e entender a realidade x teoria, em alguns casos até ressignificar.

Sempre que tratamos de patrimônio é impossível que não mencionemos as palavras preservação e conservação. Geralmente estas palavras são postas como sinônimos. No meu entendimento gosto de considerar, se assim posso dizer, que preservar entra no campo “teórico/filosófico” e a conservação no campo “prático”. A preservação se estabelece como primeiro estágio, da significância, do reconhecimento dos seus sentidos, dos valores da proteção. Entra no campo do estudo, de definições e intenções, limitando a ação humana, deixando-o intacto.

E já a conservação a significo através da proteção atrelada ao uso consciente, sustentável, de fruição, entendendo a necessidade da adaptabilidade diante da evolução e do passar do tempo.  E por mais que à medida que aprofundamos os significados e achemos que está equação é algo que se afunila e simplifica, é que entendemos que estas palavras são apenas o começo de longo caminho para várias ações e problemáticas do patrimônio, como por exemplo a restauração, que entra nesse paradigma como aquele que reconhece os valores culturais do objeto, analisa sua forma física, seu processo de produção e as condicionantes bem como suas consequências”.

Como Estamos?

Sede da Associação Cultural Coral Os Canarinhos de Itabirito – MG

É sabido que as comunidades se habilitam a possibilidades de caminhos inovadores, à emergência de novas intervenções e acesso a novas experiências e isso pode ser muito sedutor, mas requer sabedoria, parcimônia e senso para a coletividade.

É saudável que as ações de preservação e conservação da memória cultural sejam motivadas em todos os seus ambientes. O ambiente político, o ambiente econômico, o social e especialmente o ambiente cultural já que a este se dá o mérito de apresentar o perfil da população sensibilizada para este tema.

Para que tudo isso seja viabilizado em favor da memória coletiva, é muito importante que os órgãos municipais e estaduais, através de seus equipamentos culturais trabalhem forte e inicialmente o hábito e os programas de “desenvolvimento da leitura”, por exemplo, que é elementar, como ferramenta motivadora para o crescimento social e intelectual das populações incentivando, por exemplo, a leitura junto às crianças e jovens com o objetivo de valorizar o empenho de pessoas e entidades engajadas em iniciativas de promoção social, facilitar a troca de informação entre os cidadãos a fim de construir uma rede que fortaleça e enriqueça o trabalho de todos.

Engraçado né, mas é pelo básico, pela educação que se deve começar.

Para Preservar e Conservar, o que podemos fazer?

Praça da Estação – Itabirito – MG / Acervo Joice Santos

Podemos incentivar diversas ações voltadas fundamentalmente para a criação de novos hábitos, promovendo mais conhecimento, fomentando o aprendizado com base na literatura e nas mais variadas fontes de informação, intensificando principalmente na juventude a compreensão sobre o valor dos bens culturais, a partir das experiências vivenciadas em nossos próprios territórios.

Outra ferramenta saudável e muito importante que utilizamos são os programas de Educação Patrimonial, através dos órgãos de Patrimônio das prefeituras, que consistem em processos permanentes e sistemáticos de trabalho também educacionais, só que aqui, centrados no patrimônio cultural como fonte de conhecimento e enriquecimento coletivo.

Certamente, a Educação Patrimonial possibilita o contato próximo com o modo de vida das comunidades, as suas manifestações culturais observando a amplitude dos seus sentidos, seus significados e aspectos.

É assim, que crianças e adultos são induzidos a um processo construtivo de apropriação, conhecimento, preservação e valorização das heranças e bens culturais percebidos em nosso quotidiano.

O que queremos para o novo ciclo que abre uma nova década a partir de 2021 é uma população capacitada para um garantido usufruto destes bens, possibilitando a geração e a produção de novos conhecimentos, em um processo permanente de criação e fruição cultural.

Capela do Bom Jesus de Matosinhos – Acervo Joice Santos

Torço para que os municípios brasileiros trabalhem a Educação Patrimonial como um instrumento de “alfabetização cultural”, por uma preservação sustentável dos nossos bens culturais, do patrimônio, que é de todos, fortalecendo o comprometimento comunitário com a preservação de sua identidade cultural e com a permanência das boas práticas, que devem ser habituais em uma comunidade efetivamente cidadã.

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